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	<title>Blog do Núcleo de Estudos das Terapias</title>
	<link>http://blog.nucleodeestudosdasterapias.com.br</link>
	<description>Um espaço para troca de idéias entre Núcleo de Estudos das Terapias e seus internautas visitantes.</description>
	<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 20:57:46 +0000</pubDate>
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	<language>en</language>
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		<title>A Terapia Estrutural de Salvador Minuchin</title>
		<link>http://blog.nucleodeestudosdasterapias.com.br/2008/01/02/a-terapia-estrutural-de-salvador-minuchin/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 20:38:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Angela</dc:creator>
		
		<category>Psicoterapia</category>

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		<description><![CDATA[(Resumo tirado do livro A cura da família de Salvador Minuchin; Editora Artes Médicas, RS.)
Gostaria de começar com a minha própria história pessoal. Vocês precisam saber quem sou eu, já que sou um observador dos dramas.
Como todo os outros eu estava tateando, tentando, falhando e tentando novamente, lutando para compreender o que funcionava, quando e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(<em>Resumo tirado do livro</em> <strong>A cura da família</strong> <em>de Salvador Minuchin; Editora Artes Médicas, RS.</em>)</p>
<p>Gostaria de começar com a minha própria história pessoal. Vocês precisam saber quem sou eu, já que sou um observador dos dramas.</p>
<p>Como todo os outros eu estava tateando, tentando, falhando e tentando novamente, lutando para compreender o que funcionava, quando e porque.</p>
<p>Aprendi fazendo e observando. Eu era um terapeuta.</p>
<p>Comecei a pensar que uma família como um corpo, tem uma estrutura subjacente.<br />
Um corpo não dita a maneira pela qual as pessoas funcionam, a estrutura de uma família também não.<br />
Mas a estrutura estabelece alguns limites e organiza a maneira pelas quais elas preferem funcionar.</p>
<p>O conceito de estrutura indica limitações funcionais.</p>
<p>Nos anos 70 desenvolvemos uma terapia familiar estrutural.</p>
<p>Começo a pensar sobre a maneira pela qual a organização familiar se relaciona à visão que a própria família tem de si mesma.<br />
Mais tarde deixei de ensinar a técnica a ser aplicada na terapia familiar e passei a ensinar como pensar sobre a família e suas interações.</p>
<p>As famílias ficavam paralisadas em uma estrutura cuja época tinha passado e ficam paralisadas com uma história que não funciona.</p>
<p>A busca básica da terapia familiar é liberar possibilidades não utilizadas da família.<br />
A terapia pode ser uma busca de coisas novas, mas só descobrimos o que já está lá. As famílias são mais ricas do que imaginam.<br />
O terapeuta precisa filiar-se, despertar confiança, e então motivar a família para penetrar na incerteza.<br />
<hr />
</p>
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		<item>
		<title>Psicologia analítica e terapia sistêmica</title>
		<link>http://blog.nucleodeestudosdasterapias.com.br/2008/01/02/psicologia-analitica-e-terapia-sistemica/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 20:15:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Angela</dc:creator>
		
		<category>Psicoterapia</category>

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		<description><![CDATA[Qualquer psicoterapia quer seja - individual, conjugal ou familiar - tem por meta o crescimento e a transformação do indivíduo. Objetiva expandir o alcance de suas experiências de vida, num fluxo de pertencimento e individuação. Num contexto junguiano, a terapia de casais, segundo HALL (1986), repousa nos conceitos da integração da persona, da sombra, anima/animus, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualquer psicoterapia quer seja - individual, conjugal ou familiar - tem por meta o crescimento e a transformação do indivíduo. Objetiva expandir o alcance de suas experiências de vida, num fluxo de pertencimento e individuação. Num contexto junguiano, a terapia de casais, segundo HALL (1986), repousa nos conceitos da integração da persona, da sombra, anima/animus, em tipos psicológicos diferentes e todos estes conceitos são percebidos como projeções inconscientes. Quando se está trabalhando com um casal, se lida com os processos conscientes e inconscientes da relação. O analógico na relação conjugal é o campo inconsciente que atua na relação.</p>
<p>Um indivíduo, um casal, ou uma família podem assumir diante do complexo as seguintes atitudes: inconsciência total de sua existência – identificação – projeção – enfrentamento. Os complexos reúnem num núcleo uma rede de sentimentos, lembranças, imagens, padrões de comportamento e atitudes pessoais. Os complexos permanecem inconscientes em consequência do conflito com os valores conscientes. Como somente o enfrentamento resulta em solução, a família fica presa ao velho dilema de mudar o paciente identificado, o outro, sem mudar a família porque isso em geral pressupõe sofrimento. Trabalhar com os complexos faz parte do processo de desenvolvimento da pessoa. (Teixeira, p. 51)</p>
<p>A crença de JUNG de que os opostos se atraem o levaram a crer que no casamento entre um homem e uma mulher provavelmente esses opostos estariam envolvidos (JUNG, O. Comp. Vol. XVII). Desenvolveu um modelo onde pressupõe que num casamento um dos parceiros terá uma personalidade mais complexa que o outro. O fato de ser o homem ou a mulher não influi na complexidade. A personalidade complexa conterá a personalidade mais simples e durante algum tempo a relação pode ser quase perfeita, até que o parceiro mais complexo fique desestimulado pelo mais simples e comece a procurar outra coisa ou pessoa que preencha sua projeção.</p>
<p>Murray BOWEN um dos iniciadores da terapia familiar tem como conceito central de sua abordagem, a diferenciação do eu do indivíduo em relação à massa indiferenciada do ego familial. O sujeito tem que se autodeterminar para não ser engolido pela massa indiferenciada do ego familial. Para BOWEN, o indivíduo necessita de completa autodiferenciação para atingir maturidade e adequada estruturação do ego. O indivíduo deve aprender a ser diferenciado num relacionamento, o que segundo ele constitui uma luta. A diferenciação do eu está contido no processo de individuação, só que o conceito do Self junguiano, é diferente, é mais amplo e só é experimentado por aqueles que passaram pelo confronto com os componentes inconscientes da personalidade.</p>
<p>De uma forma geral os mestres da terapia familiar pontuam a necessidade de uma separação do que é próprio do indivíduo e o que é da família para que se possa ter uma família funcional como diz SATIR; ou uma relação estável como define Don JACKSON; onde os papéis familiares não interferem com as necessidades intrapsíquicas da cada membro da família, segundo ACKERMAN; ou para que tenham uma diferenciação do eu da massa familial, de acordo com BOWEN. Dessa forma cada um está colocando que só uma pessoa em processo de individuação autodeterminada e madura pode formar famílias funcionais, com relações satisfatórias, o que vem ao encontro do que JUNG pensou:</p>
<blockquote><p>“para que alguém se torne consciente de si mesmo, deve-se distinguir dos outros e apenas onde houver essa distinção pode aparecer um relacionamento.(O.C. vol.XII, parag. 326)”.</p></blockquote>
<p>Existem pontos de concordância entre as duas abordagens que podem ajudar a se ter uma visão mais ampla dos problemas que atingem uma relação conjugal ou familiar. Os caminhos podem ir da família para o indivíduo e do indivíduo para a família.</p>
<p><strong>Qual o significado histórico na vida do ser humano do desejo de unidade?</strong></p>
<p>A idéia do ser humano original ser macho e fêmea é antiga e pode ser encontrada em numerosas tradições, na mitologia, assim como em quase todas as tradições religiosas. Fala-se de como DEUS criou primeiro um ser macho e fêmeo, unido num só e depois dividiu esse ser em dois.</p>
<blockquote><p>“Nosso hermafrodita adâmico embora se apresente sob forma masculina, carrega consigo Eva, ou sua parte feminina oculta em seu corpo” (Sanford, 1986)</p></blockquote>
<p>PLATÃO no seu <i>Symposium</i> repete através de seu personagem Aristófanes um antigo mito grego</p>
<blockquote><p>“sobre seres humanos originais que eram redondos, tinham quatro braços, quatro pernas e uma cabeça com duas faces, parecendo opostas entre si. Essas esferas humanas possuíam qualidades tão maravilhosas que rivalizavam com os deuses que pondo sua inveja e terror em ação, cortaram as esferas em dois a fim de reduzir o seu poder, as duas metades ficaram separadas e uma se tornou a feminina e a outra a masculina. Desde então, continua a história, as duas partes separadas do ser humano original vivem lutando para se reunir. E certo dia, uma delas encontra sua outra metade, diz Aristófanes, a metade real de si mesma&#8230; e o par mergulha num deslumbramento de amor, de amizade e de intimidade, e um não quer ficar fora das vistas do outro&#8230; ainda que por um momento: essas são as pessoas que passam toda a sua vida juntos, entretanto, elas não conseguem explicar o que desejam uma da outra.”( in Sanford, 1986, p.11).</p></blockquote>
<p>Modernamente isso pode ser traduzido na crença de encontrar a alma gêmea ou a outra metade que complementa e forma a unidade do ser.</p>
<p>Mitologias e religiões de todas as partes do mundo falam desse ser andrógino, uma totalidade do ser humano e da divisão subseqüente em homem e mulher, o que nos permite chegar à conclusão que desde os tempos primordiais essa busca, representada de formas diferentes faz parte do inconsciente coletivo da humanidade, é arquetípica. Hoje, essa busca se apresenta principalmente na relação conjugal.</p>
<p>Segundo ELIADE (1954)</p>
<blockquote><p>“a androgenia é uma fórmula arcaica e universal para expressar a totalidade, a coincidência dos contrários, dos opostos&#8230;mas que uma situação de plenitude e de autarquia sexual, a androgenia simboliza a perfeição de um estado primordial, não condicionado. Adão era considerado um andrógino&#8230; Tudo tem um significado religioso. A perfeição se encontra no começo.” (p.189).</p></blockquote>
<p>Segundo SANFORD (1986)</p>
<blockquote><p>“os seres humanos se habituaram a pensar e a se julgarem apenas como homens e mulheres, mas os fatos psicológicos mostram que todo ser humano é um andrógino&#8230; Andrógino vem de duas palavras gregas <i>andros</i> e <i>gynos</i> que significam homem e mulher respectivamente e se refere a uma pessoa que combina na sua personalidade tanto os elementos masculinos quanto os femininos.” (p.9) </p></blockquote>
<p>No amor romântico, no apaixonamento, fenômeno psicológico peculiar se acredita ter encontrado as partes que nos faltam. Parece que nesse encontro finalmente se possui algo acima de nós mesmos.</p>
<p>Segundo o analista junguiano Jonhson (1987, p.12)</p>
<blockquote><p>“o amor romântico é peculiar ao Ocidente. Estamos tão acostumados a conviver com as crenças e as suposições do amor romântico que o consideramos a única forma de amor que pode gerar casamento e relacionamentos verdadeiros&#8230; e com a típica presunção ocidental de estarmos sempre com a razão, achamos que o nosso conceito de amor , o amor romântico deve ser o melhor&#8230;Presumimos que, comparado a este, qualquer outro tipo de amor entre homens e mulheres seria frio e insignificante. Mas se nós, ocidentais, formos realistas, teremos de admitir que o nosso enfoque do amor romântico não está funcionando bem.”</p></blockquote>
<p>Ainda segundo esse autor,</p>
<blockquote><p>“o amor romântico, na sua forma mais pura tem uma grande força. É uma janela de nossa alma que nos fala de uma realidade viva e viável dentro de nós, de algo que podemos viver e ser&#8230;mas, uma das grandes necessidades das pessoas hoje é compreender a diferença entre o amor humano, como base para o relacionamento, e o amor romântico, como um ideal interior, um caminho para o mundo interior. O amor não sofre ao ser libertado do esquema de crenças do amor romântico. A situação do amor só ira melhorar quando for diferenciado do romance.” (p. 75)</p></blockquote>
<p>Segundo Jean-Yves LELOUP (2002), em grego para o ser humano, a primeira palavra para o amor é <i>porneia</i> que se refere ao amor do bebê por sua mãe, um amor antropófago,</p>
<blockquote><p>“Ele gosta do leite da mãe, do seu calor, ou seja do objeto materno” &#8230;é uma pena que essa atitude também possa ser tomada por uma pessoa de 50 anos que nos devora&#8230; nesse caso é um amor que não evoluiu.(p.46). Após a <i>porneia</i> vem Eros que vai introduzir inteligência na pulsão&#8230; o amor toma asas, é a dimensão erótica total. É o amor do inferior em relação ao superior, o amor da beleza. O amor torna-se inteligente; não somos apenas animais&#8230; somos também anjos. Mas continuamos a ser, mesmo assim, animais&#8230;(p.47). Após Eros, temos <i>philia</i> que significa “eu te amo com amizade”&#8230; já não é o amor do inferior pelo superior, nem o amor daquele que está carente direcionado para aquele que tem. A <i>philia</i> é amar o outro enquanto outro. Trata-se de um amor de intercâmbio : eu te dou e eu recebo, compartilho o que eu sou e recebo o que tu és. É o amor humano propriamente dito, mas raros são os seres humanos que conseguem amar-se dessa forma. (p.48)&#8230; Para além da <i>philia</i> existe o ágape. Foi o cristianismo que criou as condições do surgimento desse termo. Uma nova palavra surge sempre que ocorre uma nova experiência. Aqui se trata da experiência do amor gratuito, do amor em troca de nada. Não somos nós que amamos , mas quem ama é o Ser Divino presente em nós. É o Eu que se abre para o Self.” (p.49).</p></blockquote>
<p>A confusão entre a <i>philia</i>, amor verdadeiro, o amor de amizade (amar o outro pelo que ele é) e amor romântico, de Eros (apaixonamento pelo que me falta) e romance (apaixonamento pelo amor e não pela pessoa, por aquilo de que se tem carência) é comum nos conflitos conjugais. Esse é um ponto discutido nos casos clínicos, pois os casais se confundem e não percebem essas diferenças, da mesma forma que não percebem as forças poderosas que estão misturadas dentro de cada ser prontas para se manifestarem na capacidade de ir na direção do amor, seja ele o amor humano ou divino. Para JUNG , essa é uma exigência do inconsciente. Ainda segundo Johnson (1987, p. 80)</p>
<blockquote><p>“O amor cortês, romântico nas suas origens, há muitos séculos, foi concebido como uma aspiração espiritual, que elevava o cavalheiro e sua dama acima da vida mesquinha e grosseira, para vivenciar um outro mundo, uma experiência da alma e do espírito&#8230; E que buscamos ainda hoje, uma experiência religiosa, uma visão de plenitude”. </p></blockquote>
<p>Essa colocação tem muito a ver com a busca da unidade a dois que os cônjuges modernos idealizam no amor.</p>
<p>Parece entretanto, que se busca no outro, não a complementaridade como muitos pensam, mas o desejo de ser inteiro, completo porque somente o ser em relação é pessoa e compõe uma unidade na transcendência. Essa a meta que não se sabe como alcançar.</p>
<p>Está claro que o amor romântico é o que predomina na maioria dos relacionamentos destes dois últimos séculos. BRANDEN (1998) faz um breve histórico que vai da insignificância do indivíduo na mentalidade tribal, onde predominava o coletivo; passa pela Grécia, início da divisão corpo e espírito, razão e paixão. A razão significava o não envolvimento, desprendimento e a paixão era vista como uma representação da falência da razão. Os gregos idealizaram o amor espiritual e não o carnal. Entre os romanos predominava a corrente filosófica do estoicismo, o envolvimento emocional era uma ameaça ao cumprimento das obrigações. Gregos e romanos não se casavam por amor e viam a paixão como uma forma de loucura. A noção de casamento por amor não existia. Para a Igreja Medieval era uma ofensa grave se apaixonar e se casar porque isso significava estar totalmente integrado com sua vida sexual. A integração do amor ao sexo era visto como um vício e não como um ideal nobre. (p.34) O casamento durante a Idade Média ainda era visto como uma instituição essencialmente econômica e política, apesar de declarado um sacramento pela Igreja. “O cristianismo sempre foi um feroz oponente do amor romântico” (p.31) Entre o período que vai do Renascimento até o Iluminismo se dá a secularização do Amor. A culpa associada ao ato sexual e a dicotomia corpo e alma continuava, mas,</p>
<blockquote><p>“Havia um esforço cada vez maior na busca de encontrar uma forma de integrar amor e casamento, para criar uma estrutura na qual a expressão da sexualidade fosse aceita e na qual os sentimentos de amor, ternura e afeição pudessem coexistir com o desejo.” (p.39)</p></blockquote>
<p>O conceito de amor romântico como um valor cultural amplamente aceito e como base ideal do casamento foi um produto do século XIX. O Iluminismo, a Revolução Industrial, o colapso do Estado Absolutista e o advento do capitalismo numa sociedade mercantil livre fizeram os seres humanos testemunharem a liberação antes reprimida. O nascimento do individualismo revolucionou o mundo, fazendo nascer uma nova visão de mundo.</p>
<p>Uma de suas características era a possibilidade de que homens e mulheres escolhessem com quem dividir suas vidas, não com base nas necessidades econômicas, mas na experiência de encontrar felicidade e satisfação emocional. Liberdade e individualismo se tornaram então as marcas do amor romântico. A procura pelos valores de cada um, o exercício do julgamento das próprias condutas e a alegria do prazer sexual – todos são atos de auto-afirmação ligados à escolha do amor romântico (p.31). Para esse autor, amor romântico é uma ligação espiritual, emocional-sexual, apaixonada entre um homem e uma mulher que reflete uma grande estima pelo valor pessoal de cada um. (p.19).</p>
<p>Ainda segundo Branden, o amor romântico contem três princípios básicos:</p>
<p>1) o autêntico amor entre um homem e uma mulher se fundamenta na liberdade de<br />
&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;escolha de cada um.<br />
2) este amor se baseia na admiração e no respeito mútuo.<br />
3) o amor não é uma diversão fútil, é de grande importância para a vida.</p>
<p>Para esse autor as necessidades básicas do amor romântico são:</p>
<ul>
<li>Necessidade de companhia</li>
<li>Necessidade de amar, de admirar</li>
<li>Necessidade de ser amado e de se sentir visível</li>
<li>Necessidade de satisfação sexual</li>
<li>Necessidade de ser completamente homem ou mulher</li>
<li>Necessidade de um universo privado</li>
<li>Um refúgio das lutas do mundo</li>
<li>Necessidade de compartilhar a excitação de estar vivo, de desfrutar e ser alimentado pelo entusiasmo do outro.</li>
</ul>
<blockquote><p>“Na verdade, não morreríamos sem elas, mas elas representam uma enorme contribuição para o nosso bem estar, são importantes para a sobrevivência.”(p.102)</p></blockquote>
<p>Para Moore (1996)</p>
<blockquote><p>“Cada relação contém tanto mistério que toda conversa sobre ela ou dentro dela deve ser provisória. (p.284)&#8230;Uma alma gêmea é alguém a quem nos sentimos profundamente ligados, como se a comunicação e a comunhão que ocorrem entre nós não fossem produtos de esforços intencionais mas uma graça divina.” (p.18)</p></blockquote>
<p>Um relacionamento significativo, segundo Moore (1996) lança dois desafios árduos:</p>
<blockquote><p>“Conhecer a si mesmo e conhecer as riquezas profundas, muitas vezes sutis da alma do outro. À medida que se vai conhecendo mais profundamente o outro, se descobre muita coisa a nosso próprio respeito. À medida que você se conhece, pode aceitar e compreender melhor a profundidade da alma do outro. É difícil um relacionamento ter alma se as próprias pessoas envolvidas não perguntam o que lhes está acontecendo.” (p.50)</p></blockquote>
<p>Segundo o analista junguiano, Guggenbuhl-Craig (1977; p,36) dentro da nossa cultura o casamento pode ser encarado tanto em “termos de bem estar como em termos de salvação.” Encarar o casamento em termos de bem estar significa que as pessoas se casam alimentando o pensamento de que ele os levará a felicidade, à satisfação, ao sentimento de plenitude. Encarar o casamento em termos de salvação significa ver o casamento como um caminho possível para o autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal e a individuação. A finalidade de um relacionamento não é nos dar bem estar, não é nosso bem estar mas, uma profunda alquimia de almas. O relacionamento conjugal é então um excelente apoio para o crescimento do casal e da própria pessoa.</p>
<p>Se valorizarmos a relação conjugal somente quando nos proporciona uma sensação de bem estar, não teremos a força interior para enfrentar as experiências difíceis, mas, se aprendermos a valorizar o matrimônio por causa das oportunidades que ele oferece para a salvação, isto é, para a individuação, bem como para outras graças, então o relacionamento conjugal mostrará estar apoiado numa base mais sólida. (p.37)</p>
<p>Segundo Jung,</p>
<blockquote><p>“A alma, está fundamentalmente orientada para a vida, é o arquétipo da vida e a preferência da alma pelas complicações da vida é importante nos relacionamentos&#8230; Todo relacionamento é um entrelaçamento de almas.” (<em>in</em> Moore, 1996). </p></blockquote>
<p>A vida de todo ser humano gira em torno dos seus relacionamentos, sejam eles conjugais, familiares, fraternais ou profissionais, através deles faz-se exigências ao outro, alimenta-se expectativas, ideais e crenças que na maioria das vezes se quer impor ao outro. Atitudes como essas terminam por dominar os relacionamentos, formando padrões rígidos, gerando conflitos, principalmente nos relacionamentos amorosos e familiares porque é justamente na convivência diária desses relacionamentos que se percebe mais de perto qualidades e hábitos pessoais. Esse é um ponto focalizado neste estudo e diz respeito à Terapia Sistêmica Familiar e de Casal. Aqui, se pretende investigar e sinalizar como a licença de casamento muitas vezes termina por se transformar numa licença para encaixar o cônjuge ou filhos nos ideais, expectativas e crenças de cada um. O casamento não é para ser visto, como diz Rilke, como uma forma onde só se compartilha a nossa solidão com outra pessoa.</p>
<p>Toda família tem seu início e sua base na união de duas pessoas no matrimônio. O casamento é então a união de dois seres opostos física e psiquicamente que trazem consigo toda uma herança ancestral, com trajetórias divergentes e convergentes o que por si só é um foco de conflitos. Sai-se de duas famílias diferentes para formar uma nova, muitas vezes sem ter uma estrutura para tal. Entra-se na relação com um grande número de expectativas irreais, imaginando que tudo deve ser paixão e encantamento, muitos procurando recuperar e encontrar no presente, figuras amadas do passado, o pai ou a mãe. Essas expectativas perdidas são perdas necessárias para o tornar-se pessoa de cada um dos cônjuges. A intenção é que seja visto antes de tudo, como um intercâmbio entre dois grandes mistérios - um homem e uma mulher - dois seres humanos por si só já opostos que se unem para compartilhar a jornada da vida com o compromisso mútuo de crescimento pessoal através da ponte do diálogo, sexualidade, compreensão e compaixão, trocando o modelo de fusão por um modelo de diferenciação para chegar à individuação e a salvação. (Teixeira, 1996).</p>
<p>Para a Psicologia Analítica, quer se siga uma religião ou não, o casamento é um sacramento.</p>
<p>O casamento é sagrado não só porque é um modo precioso e respeitado de gerar vidas, mas também porque é uma forma religiosa em si, uma maneira especial de verter a espiritualidade na vida. (Moore, 1996; p. 95)</p>
<p>Segundo LELOUP, (2002)</p>
<blockquote><p>“Amor e casamento são, algumas vezes, duas coisas diferentes. Tanto o casamento baseado na razão quanto o casamento por amor, por paixão ou o motivado por pulsão são solúveis no decorrer do tempo. Mas há também casamentos sagrados. Às vezes entre duas pessoas, há alguma coisa de indissolúvel, alguma coisa que nunca irá extinguir-se. O único casamento indissolúvel é aquele que reconhece, entre duas pessoas, o Outro que a s reuniu. O que nos faz viver não é somente nós, mas um Terceiro. É exatamente Ele que é indissolúvel porque não está imerso no tempo.” (pp. 85 e 86).</p></blockquote>
<p>O amor de uma forma geral como aceitação do outro também passa por períodos de adaptação que se dão principalmente nos períodos dos ciclos vitais, desde seu início com a formação do par conjugal, passando pela etapa dos filhos na infância, adolescência, adultos, fase madura, velhice até a morte; o amor assim como o casal e depois a família passam por períodos de estabilidade alternados com períodos de transições. Pode-se dizer que de modo geral um dos conflitos mais freqüentes dentro da família é o conflito de pertencer à família e tornar-se pessoa. Isso geralmente é mais questionado nos momentos que a família passa pelas transições naturais dos seus ciclos vitais.</p>
<p>As experiências de ciclo vital pelas quais passam todos os seres humanos, geralmente se dão dentro de uma família, mas claro que, de formas diferentes. São experiências que fazem parte do nosso existir, do isto é da vida. Na união entre um homem e uma mulher, nos papéis de mãe e pai, tem-se a própria indissolubilidade, mesmo após uma separação, visto que, os vínculos de pai, mãe, filho nunca mais serão desfeitos porque é uma união do Ser nos aspectos físicos, emocionais e espirituais.</p>
<p>O diálogo entre um homem e uma mulher, pai e mãe é uma realização do amor, portanto conhecer é unir-se ao outro ser, vivo dentro de mim. Conhecer é um ato dialogal, eu conheço em união com o outro. Do diálogo entre a promessa e a esperança é que nasce a aliança. Segundo Grygiel (1994), “é necessário conhecer e amar no outro o que é eterno. Eu conheço o outro na medida em que ele se revela (doa) a mim. Se não conheço, não amo.”</p>
<p>A palavra adequada para casamento é aliança entre duas liberdades. Para que haja aliança é necessário que existam dois “inteiros” ; é necessário que haja o encontro de duas inteirezas&#8230; Ora , a maior parte dos casamentos registra o encontro de duas metades. Limita-se a ser casamento, ou seja, um inconsciente que encontra outro inconsciente, procura a parte que lhes falta. (LELOUP, 2002, p. 92)</p>
<p>A experiência da aliança então nos dirá que o amor é relativo ao bem conhecido que nos une. De que é feito ? prudência, fortaleza e paciência. Em vista de que ? para obter o bem pessoal, do casal e da família. Qual é sua origem? A escolha livre. De que modelo se serve? de intenção na escolha e responsabilidade na execução.<br />
<hr />
</p>
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		<item>
		<title>O uso da Tipologia de JUNG  na  Terapia de Casal</title>
		<link>http://blog.nucleodeestudosdasterapias.com.br/2007/01/02/4/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Jan 2007 16:16:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Angela</dc:creator>
		
		<category>Jung</category>

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		<description><![CDATA[Observou-se ao praticar a Terapia de Casal, unindo a Teoria Sistêmica com a Tipologia de JUNG, que a maioria dos conflitos conjugais tem sua origem nas diferenças existentes entre os tipos psicológicos e a consequente não aceitação das mesmas. Aliás, em qualquer rede social sempre haverá a influência das diferenças entre os tipos psicológicos.
A escolha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Observou-se ao praticar a Terapia de Casal, unindo a Teoria Sistêmica com a Tipologia de JUNG, que a maioria dos conflitos conjugais tem sua origem nas diferenças existentes entre os tipos psicológicos e a consequente não aceitação das mesmas. Aliás, em qualquer rede social sempre haverá a influência das diferenças entre os tipos psicológicos.</p>
<p>A escolha do parceiro depende de múltiplos fatores mas, para este estudo, o que mais interessa é a organização das estruturas psíquicas que se organizam em torno das semelhanças e oposições latentes e patentes de cada parceiro. É considerado um padrão arquetípico os parceiros fazerem suas escolhas muito mais por heterogamia (opostos que se atraem) do que por homogamia (semelhante atrai semelhante). Na rede social, ao contrário da conjugal, grupos e interesses semelhantes se atraem.</p>
<p>A tipologia de JUNG não é um sistema de análise de caráter e muito menos uma forma de rotular as pessoas. É usado na prática clínica como uma forma de compreender as dificuldades interpessoais. Faz-se uma análise do tipo psicológico de cada cônjuge, sinaliza-se as diferenças, reflete-se em cima delas e se procura ver até que ponto interferem no relacionamento conjugal.</p>
<p>O problema não é casar com o tipo oposto, mas, evitar que a licença de casamento ou de paternidade, se transforme em licença para moldar o parceiro ou os filhos, usando a si mesmo como um modelo a copiar. Ao unir os dois referenciais, quis mostrar uma outra forma de compreender os conflitos conjugais, trocando <em>fusão</em> por <em>diferenciação</em>.<br />
<hr />
</p>
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		<title>Olá!</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jan 2007 13:31:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Maria Angela</dc:creator>
		
		<category>Sem Categoria</category>

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